Almas crucificadas

Não oferecerei ao Senhor meu Deus vítimas que não me custem” (2 Sm 24,24).

No Salmo 39 versículo 7 a 9 o salmista fala de sua experiência com Deus. Esta por sua vez, foi um experiência profunda de intimidade que lhe proporcionou descobrir os desígnios de Deus para si, e a liberdade de responder positivamente ao convite amoroso que Deus lhe fizera. Mas, o que o salmista descobriu? Quais são os desejos de Deus para ele e o que lhe pede? “Não queres sacrifícios e ofertas; cavaste-me ouvidos; não pedes holocaustos nem vítimas expiatórias. Então eu digo: ‘Aqui estou’. No texto do rolo está escrito de mim que hei de cumprir tua vontade: e eu o quero, Deus meu, levo tua instrução nas entranhas”.

O salmista fala de si como aquele em quem Deus por meio da Palavra dita e escutada por Ele, passa do exterior para o interior. Para ele a voz de Deus foi tão forte, que fez um caminho em forma de escavação para dentro dele, onde se instala e o ajuda a assimilar seus desejos.

A experiência do salmista diz que Deus rejeitou sacrifícios e ofertas, holocaustos e vítimas, mas, porque sua resposta a rejeição feita pelo Senhor é “Aqui estou”? Porque o salmista entendeu que ele deve ser a oferta, o sacrifício, a vítima de expiação.

São muitas as passagens bíblicas que falam dessa nova forma de sacrifício onde se é chamado a dar aquilo que lhe custa, que lhe pertence e não mais sacrificar outros (animais). Quem se sacrifica, deve estar vivo: “para Deus, sacrifício é um espírito contrito, um coração contrito e triturado tu não o desprezas, Deus” (Sl. 31,19); “O Senhor quer sacrifícios e holocaustos ou quer que lhe obedeçam? Obedecer vale mais que um sacrifício, ser dócil, mais que gorduras de carneiro” (I Sam. 15,22); Agora, irmãos, pela misericórdia de Deus eu vos exorto a vos oferecerdes como sacrifício vivo, santo e aceitável: seja esse o vosso culto espiritual” (Rm. 12,1).

Uma alma que se sacrifica, entendeu o que Deus lhe pede por meio dessas passagens Bíblicas, assimilou a vontade de Deus para si, passou a desejar viver como Aquele que também se fez sacrifício de amor para a redimir.

Essas almas se tornam crucificadas precisamente porque ardem de desejo em fazer cumprir em si mesmas a palavra “o servo não é maior que o seu Senhor”. Olham para Cruz e veem Aquele a quem amam crucificado, entregue a elas e a humanidade por amor. Querem elas seguirem seus passos, e se ornarem elas próprias, assim como Ele, matéria de sacrifício. O que oferecem? Como Davi, oferecem aquilo que lhes custa. Coisas grandes? Tudo é dado, tudo é ofertado. O mais simples gesto, a mais simples ação, tudo pode converter-se neste crucificar-se com Aquele a quem amam, nessa união de desejos.

Para que se tornam ofertas, matérias de sacrifício? Para as mais variadas situações: pela conversão dos pecadores, pelas almas do purgatório, pelos doentes e agonizantes, pela Igreja, em reparação das ofensas que são dirigidas diariamente a Este que tanto amou o mundo e só tem recebido da mão dos homens opróbios (Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque).

Se ofertam as vezes como sacrifício de comunhão, outras como de louvor, outras ainda como de expiação, pois o desejo que trazem no coração de se imolarem a Deus, indica o quão devotas são.

Vai oh alma minha, ao encontro d´Aquele que te desposou, encontra na Cruz o leito nupcial, e no sofrimento a tua delícia, seja tu a oferta que agrada ao Seu coração.

Ir. Judite do Coração Sacerdotal de Jesus, pjc

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